O cara vivia com o macacão sujo. Para mudar isso, trabalhou, batalhou, gritou, brigou, conversou, fez acordos e chegou ao principal posto de comando do país. Agora, vive com o macacão sujo.
Conforme combinado, conto mais um capítulo da novela Aeiou, a nova operadora de telefonia celular em SP.
Na terça-feira recebi um e-mail dizendo que o chip está a caminho. Ontem o chip já aparecia registrado no site. O prazo de validade dos créditos promocionais de R$ 35, que seria até 8 de setembro, foi extinto. O chip ainda não chegou.
Timothy Leary, defensor e divulgador do LSD nos anos 1960, dizia que os jovens do futuro (futuro dele, nosso presente), não precisariam usar "drogas", pois teriam a Internet à disposição.
Aparentemente, o único elo entre o ácido dos cogumelos e a Internet, nessa visão, seria a busca pelo novo, o rompimento de barreiras, atitude inconformista típica da adolescência, em qualquer idade.
Mas a transferência imaginada por Leary vai além, envolvendo fuga da realidade e ansiedade, passando pela busca do prazer e do conforto. No fundo, o uso de qualquer instrumento afastador da realidade é uma tentativa de conforto, do conforto próprio, do se sentir bem com a própria estranheza diante da homogenia de milhões de estranhezas que formam essa realidade.
A fuga da realidade atrelada à ansiedade, busca do prazer e conforto, necessidade de todos, causa o sucesso de bobagens como o Twitter.
Há os que fumam, bebem, usam ácido, estimulantes físicos, dançam; há os mais ansiosos, que misturam tudo, alguns fumam, outros bebem, outros usam ácido, e há a ansiedade da informação.
Há quem adore receber spam, pela satisfação de receber muitas mensagens, de se sentir importante, e também há quem adore receber spam para satisfazer a ansiedade de ver chegar uma mensagem nova a todo momento, uma informação nova, por mais inútil que seja.
Quatro anos atrás foi o Orkut. Agora é o Twitter, daqui a duas horas será o Blip. Cinco minutos depois...
Entre tantas formas de aplacamento da ansiedade, existem as legais e as ilegais. Defendo que ilegais deveriam ser as que prejudicam terceiros. Sou contra qualquer tipo de proibição, mas entendo que é necessário algum controle sobre gente sem noção, que insiste em fumar - qualquer coisa - na presença de outras pessoas, de beber antes de dirigir, de falar ao celular no ônibus ou de usar perfume em restaurante, atitudes que interferem diretamente na vida alheia. Sim, defendo multa para quem usa perfume em restaurante ou usa celular no ônibus. Se for Nextel, dois dias de trabalhos comunitários.
Da mesma forma, defendo que não haja qualquer tipo de controle do poder público, apenas bom senso individual, sobre o uso privado de qualquer droga, seja ela maconha, cocaína, uísque, Orkut, Twitter, tabaco, música, celular, LSD, pornografia, literatura, ecstasy, telenovelas ou qualquer outro produto alienante.
Afinal, realidade em tempo integral, é inviável, é uma droga. Uma forma segura de fuga é ficar teclando F5 pra ver se chegou uma mensagem nova ou se, finalmente, os passarinhos conseguiram içar a baleia.
Eu tenho inveja dos mocinhos da Avenida de ombros largos e elegância nos quadris Roupa lavada, casa limpa e até comida Tudo de graça, ó que gente tão feliz!
Infelizmente eu trabalho muito!
Conheço um cara que tem sorte até comendo Freqüenta um "china" bem ali na rua Sete Um dia desses, vejam só, caso estupendo! Achou um relógio na barriga de um croquete!
Infelizmente eu almoço em casa!
Eu quando vejo um baile de alta-sociedade Lindas casacas, toaletes formidáveis de terno-saco dou uma volta na cidade Tomo uma média, vão-se os níqueis miseráveis
Infelizmente sou da classe-média!
Se me apresentam uma menina espevitada que bebe e fuma e dança o fox-trot blue finjo que entendo e afinal não entendo nada Envergonhado, cabisbaixo, jururu!
A Folha e Caetano. Bem, a Folha e Caetano. Ah... a Folha... e o Caetano. A Folha, Caetano, Caetano, Folha, Folha, Folha, Caetano, Caetano. Caetano? Folha. Folha? Folha, mas Caetano.
Além disso, tem a Folha e o Caetano. A Folha, o Caetano, o Caetano, a Folha. O Caetano e Folha. Folha, Caetano, Folha, Caetano, Folha, Caetano. Caetano e Folha.
E agora também tem o Estado. O Estado, a Folha, o Caetano. Caetano, Folha, Estado.
A vida deveria ter pontos de restauração do sistema.
O sujeito tá lá, tocando a vidinha dele, sossegado. Aí, de repente, acontece alguma coisa que faz tudo mudar de rumo. Pode ser um acidente, uma pessoa que conheceu no elevador, um presente que não serviu, pé torcido na calçada, relógio esquecido no criado-mudo, enfim.
E pronto, aquilo vira um entrocamento e o Onofre, vamos dizer que seja esse o nome do sujeito, entorta 22 graus a estibordo na longa estrada da vida. Sabe o que vem depois?
Bate o carro, no dia seguinte vai trabalhar de ônibus, vê uma placa de emprego numa fábrica, se candidata e pronto, mudou tudo.
Esbarra em alguém no elevador, pede desculpas, a pessoa puxa assunto. Cê trabalha aqui? Trabalhava, vim pedir a conta. Ah é? É. E agora? Arranjei um emprego numa fábrica de conduíte aqui perto. Pô, legal. Será que tem alguma coisa pra mim lá? Só vendo.
E pronto, aquilo vira outra seqüência de entrocamentos, desvios, placas de contra-mão e apitos do guarda.
Vai que um dia o Onofre, nosso sujeito, se toca de que o negócio não anda muito bom pro lado dele. Só dá M. Aí ele começa a pensar: onde foi que eu errei? E chega até aquele ponto, aquele dia, o acidente, o elevador, a camisa tamanho 2, o pé torcido na calçada, o Citizen deixado no criado-mudo, enfim.
Ah, se ele pudesse voltar àquele dia e fazer tudo diferente. Afinal, a vidinha dele tava indo bem, tudo sussu. Agora esse cara, que eu nem conhecia, puxa meu tapete na fábrica. Ah, se o Onofre pudesse voltar no tempo e brecar antes de bater no Toyota não teria ido de ônibus, teria continuado no escritório de contabilidade; estava pra receber uma promoção e largou tudo. Se ele pudesse, voltaria lá, restauraria o sistema operacional e deixaria tudo redondinho, como estava, na zona de conforto.
É, é isso. A vida deveria ter pontos de restauração do sistema. Vou implementar o recurso nas próximas versões.
* nunca faz hoje o que pode deixar para amanhã * anota tudo o que tem pra fazer e perde o papel * esquece de tomar Ritalina * ou toma e deixa terminar a caixinha. Aí não consegue mais ligar para o médico, marcar consulta, pegar receita e comprar outra caixinha * chega sempre atrasado à consulta e ainda tem que esperar 20 minutos pelo médico * compra DVD na promoção e duas semanas depois compra o mesmo título, em outra loja * se irrita quando tiram barato porque o nome do filme comprado duas vezes é Amnésia * pede água gelada sem gelo e se irrita quando o garçom insiste no 'gelada ou sem gelo?' * cadastra a conta de luz no débito automático e paga de novo quando chega o comprovante * reclama que o sistema do banco não presta depois de digitar três vezes a senha da outra conta
Está rolando o 140 Letras, concurso literário de microcontos no Twitter. Total apoio do Sebo do Bac. Para participar, é só postar o texto com o identificador "#140".
Repeteco de um dos posts de maior sucesso deste blog, em versão atualizada.
Eu já andei pelado na praia, tive rádio pirata, craqueei senhas, invadi sistemas, sobrevivi a terremoto, larguei o emprego e fui morar no mato, já esqueci o caminho de casa, viajei 24 horas de ônibus, viajei sete horas a cavalo, matei passarinho com espingarda e comi o passarinho, brinquei na neve, nadei em lagoa, rio e mar, vi fantasmas, vi duendes, chutei gatos, dormi em show do Ivan Lins, fui vendedor de sapatos, pizzaiolo, bancário e executivo, fui magro, voei de teco-teco, "furei lona" de circo, tive dois Fiat 147, comi caviar, subi em pirâmide, namorei três ao mesmo tempo, dormi no trabalho por não ter dinheiro pra voltar pra casa, vi a marquinha da Sheila Mello, ganhei medalhas, prêmios, concursos e rifas, produzi filme pornô gay, cantei com Milionário e Zé Rico, comprei carro usado de mágico, toquei violão no metrô, discuti a existência de Deus com padre e com pastor, militei em partido político, vi jogo da seleção em estádio lotado, montei touro mecânico, joguei moedinha na fonte de Trevi, dei choque no meu irmão, fui protestado, tomei tarja-preta, li livro de cabeçaa pra baixo no metrô, subi escada rolante descendo, atirei aviãozinho de papel do alto do prédio, colecionei pilhas usadas, colecionei sapos, criei rã, publiquei zines, fui convidado do bate-papo, fui papai noel de escola infantil, fiz discurso, dei aula, dei palestra, carreguei marmita, dei cheque sem fundo, formatei o hd da empresa, soneguei imposto, anulei voto, justifiquei voto na cidade vizinha, fiz boca-de-urna, dei curto na energia elétrica do bairro, soltei bombinha em trem, incendiei cafezal, chorei no cinema, sai do teatro sem saber se a peça tinha acabado, pedi autógrafo pra jogador de basquete, chamei o Pena Branca de Xavantinho, dei beijinho no rosto da Roberta Close, usei telex, máquina de escrever e icq, dei aula sem conhecer o assunto, comi até passar mal, usei gravata com desenho do Mickey, usei gravata estampada com paletó xadrez, montei estande na Fenasoft, pintei o cabelo de roxo, atravessei a rua sem óculos, fugi do escritório para tomar banho de piscina, fugi do escritório para ver show, fugi do escritório para fazer bolha de sabão, queimei computadores e aparelhos eletrônicos diversos, coloquei index de site de sambista na raiz do portal, criei perfil falso no orkut, morei em hotel, morei em bordel, passei em concurso público, quebrei os dentes na manivela do poço, tive branco durante uma aula e precisei dispensar os alunos, desfilei na Tiradentes em 7 de Setembro, esqueci encontro com a namorada, andei de charrete e jet ski, vesti camisa ao contrário, vesti meias de pés trocados, esqueci diploma no táxi, cantei música japonesa em karaokê da Liberdade, atravessei piscina sem respirar, acertei dardo nas costas do gato, peguei carrapato, tive pânico, pedra nos rins e enxaqueca, tomei choque na praia, li pensamentos, adivinhei o futuro, apareci na televisão, ouvi Fagner no último volume, comi sabonete, tomei banho de café no avião, briguei com bêbado que jogou latinha na cachoeira, comi açúcar de colher, deixei chefe chato falando sozinho, acenei para o Papa na rua, fingi dormir para não dar lugar pra velhinha no ônibus, li jornal do vizinho, desmontei e montei radinho de pilha, fiz careta para criancinha, ofusquei desconhecidos com reflexo de relógio, coloquei sal no café, coloquei sal-de-fruta na Coca-Cola, joguei sal em lesma, andei de guarda-chuva em noite sem chuva e abasteci o carro com álcool de limpeza. Também já tive infarto, fui envenenado, trabalhei 36 horas ininterruptas, fui vítima de hacker, atuei em teatro, escrevi livro, pulei na piscina de roupa, mergulhei em alto-mar, ganhei campeonato de telejogo, mandei o prefeito trabalhar e chamei o Saramago de plagiador.
Eu nunca roubei, nunca matei, nunca fumei cigarro, nunca fumei baseado nem cheirei pó nem lambi ácido, nunca surfei, nunca tirei habilitação, nunca consegui amarrar cordão de sapato, nunca comi frango com a mão, nunca vi disco voador, nunca li auto-ajuda, nunca voei de helicóptero, nunca viajei de primeira classe, nunca colei em prova, nunca bati em alguém, nunca pirateei vídeo de locadora, nunca repeti de ano na escola, nunca comi cebola intencionalmente, nunca fui demitido de emprego, nunca quebrei um braço nem pé nem dedo, nunca soltei rojão, nunca comi pizza com katchup.
E eu ainda vou saltar de pára-quedas, brincar na gravidade zero, sair na rua de pijama, filmar um longa, tocar violoncelo, dominar o mundo e transformar cada um desses "eu já" num conto.
Não se iluda com a carinha sorridente da foto aí de cima. Sou anti-social. Gosto de pouquíssimas pessoas. Com outras, me limito ao convívio profissional. Sofro de preconceito intelectual agudo.
E daí?
E daí que, pelo exposto, evito andar em público. Não vou a festas, bares e confraternizações. Não vou a lojas, shoppings ou restaurantes. Tudo o que preciso consigo através da web. Por ela peço o jantar, as compras do mês, livros e as bugigangas eletrônicas que me divertem.
O problema é quando os sites são burros. Aí o preconceito é maior. Exemplo do dia: precisava comprar um presente. Óbvio, escolhi e pesquisei preços pela web. Encontrei o produto adequado à pessoa e com preço bom numa loja que não conhecia.
Por garantia, resolvi esclarecer tudo pelo atendimento por chat. Disponibilidade? OK. Prazo? 1 dia. Pagamento? Cartão. Ótimo. Fechei o pedido.
Primeiro enrosco: o e-mail de confirmação do pedido dizia que a entrega aconteceria em dois dias.
De volta ao chat, reclamei, e me disseram que era quase certeza que chegaria em 1 dia. Ai, ai, ai.
Combinei unilateralmente que, se não chegasse em 1 dia, eu cancelaria a compra e correria até a loja mais próxima (ai, ai, ai) para comprar o tal presente.
OK. OK? Não OK.
No formulário de pedido, o preenchimento de telefone era obrigatório. Não tenho telefone. Não uso telefone. Odeio telefone. Coloquei o número do celular que uso para me conectar à internet quando estou na rua. Rejeitado. O número deve ser fixo. Tomei uma dose dupla de paciência e coloquei o telefone do escritório. Só não xinguei mentalmente porque detesto palavrões, mesmo os imaginários.
Chegando ao escritório, vejo que o telefone tem cinco chamadas não atendidas. Dane-se. Aí chega um e-mail: não conseguiram confirmar o cadastro por telefone e vão cancelar a compra.
De volta ao chat.
Bem, nesse ponto você já percebeu que o preço estava muuuuuito bom, né?
Sim, era preciso confirmar os dados por telefone por se tratar de compra com cartão de crédito. Argumentei que as Americanas, o Submarino, a Som Livre, a Livraria Cultura e tantos outros nunca pediram isso nesses meus doze anos de vida digital. Bem, o preço estava muito bom. O atendente do chat disse que eu poderia ligar para confirmar o cadastro. Ai, ai, ai. Dose tripla. Liguei. A telefonista não sabia do que se tratava. Passou para o Valdemar. O Valdemar não sabia do que se tratava. Com o telefone na orelha e o dedo no chat, juntei as informações de dois caras que, provavelmente, estavam na mesma sala. O Valdemar, então, disse que estava tudo certo. O cara do chat disse que se o Valdemar disse que estava tudo certo, estava tudo certo. Então vou receber a mercadoria em 1 dia? Sim, vai receber. Ótimo.
Minutos depois, chega outro e-mail. Por não terem conseguido falar comigo no telefone informado, o pedido foi cancelado.
Olha, me desculpe a grosseria, mas só não mando tomar no cu porque detesto palavrões.
Mas digo aqui o nome da maldita loja, à guisa de praga: etronics.
Update: "Prezado Cliente : Seu Pedido #xxxxxx foi aprovado. Estaremos dando sequencia em seu pedido."
Ah, então é o dia do artista de teatro! Muito bem, muito bom, não tenho nada com isso, longe disso, mas taí uma gente que curto. Boa parte dos meus amigos e a totalidade de minha prole estão metidos na coisa. Para falar deles, em homenagem à classe na data, arrisco um roteiro que coloca em cena algumas de suas figuras mais destacadas, destacadamente na direção. Ai, ai, ai, que brincadeira perigosa. Tomara que eles estejam de bom humor ao ler este post. Merda pra eles. Quebrem a perna!
Toca o terceiro sinal
Blecaute
Lentamente, foco de luz ilumina o centro do palco. Geraldo e Celso estão no escuro, um de cada lado do foco
GERALDO: Luz! Venha a mim!
CELSO: Luz! Venha a mim!
GERALDO: Estou aqui, luz! Siga-me!
CELSO: Ignore os apelos desse outro e venha a mim!
Foco de luz se divide em dois e avança sobre Geraldo e Celso. Centro do palco fica escuro.
GERALDO (se dirigindo a Celso): Quem é você?
CELSO (olhando para Geraldo): Eu é que pergunto! De onde saiste, maldito fantasma?
OFF: Eu sou o maior intelectual do Brasil.
GERALDO: Quem disse isso?
CELSO: Quem você acha que é?
OFF: Meu nome é Paulo Coelho. Little Rabbit, para os íntimos.
CELSO: Você pode se considerar o maior intelectual do Brasil, mas não se esqueça de que EU SOU O BRASIL! EU SOU O POVO BRASILEIRO!
GERALDO (irônico): Vocês são uns merdas. Maior intelectual do Brasil? Pois bem! Eu sou o maior intelectual VIVO do mundo.
RODOLPHO (cruzando o palco e agitando os braços): Gente, calma! Que é isso! Este trabalho tem que ser uma criação coletiva!!!! Parem já com essas picuinhas!
Blecaute
CELSO: Ei! Quem apagou a luz?
GERALDO: Acendam a luz! Eu tenho medo de escuro!
OFF: Eu sou a luz. Vou e volto quando bem entendo.
GERALDO: Porra! Paulo Coelho de novo!?!
CELSO: Vai e vem? Quem é você desta vez? O público?
OFF: Eu sou a luz! O caminho! A Verdade! A vida!
GERALDO E CELSO: Porra! É Deus!
OFF: Ha ha ha ha! Então, agora acreditam? Agora sabem que existe alguém maior do que vocês?
GERALDO: Não, não pode ser. A última vez que ouvi Deus foi em... em... 1984, eu estava indo de London para Nova York, não, estava indo do Rio de Janeiro para Hamburgo, foi num avião da Swiss, a aeromoça era lindíssima, mas o serviço era péssimo, estávamos numa turbulência quando o comandante falou... não, não, não era o comandante, era Deus, ele falou: "Geraldo, toma um Rivotril!". Mais tarde, quando o avião pousou, fomos tomar um café no Starbucks. Eu e Deus? Não, eu e a aeromoça.
CELSO: Que mané Deus! Deus está na terra, no solo, na água, nas moléculas! Deus é o povo que anda de ônibus, que sofre oprimido nas filas dos bancos. Deus é o Brasil, Deus é celular que toca na platéia no meio do espetáculo, é a tosse daquele velho chato. Deus é Caetano pelado! Deus está nu andando a cavalo na praça! Deus é o terrível duque Russo! Deus é Picasso com suas camisas listradas e calças folgadas! Eu comi Picasso com fritas!
RODOLPHO (cruzando o palco, reclama em direção à cabine da técnica): Gente, quem apagou essa luz, hein? Birigüi, foi você? Pára de brincadeira, menino! Acende já esse canhão e bota uma gelatina verde no centro do palco.
Acendem-se três focos de luz verde no palco, sobre Geraldo, Celso e Rodolpho
Ótimo comentário sobre a candidatura de Marcelo Frisoni no blog Olha só!:
"Quem, em sã consciência, vai votar em um cara para vereador de São Paulo, tendo como única referência o fato de que ele é marido de uma apresentadora que fala com um papagaio de espuma todas as manhãs?"
E a autora completa: "... digo apenas que o número dele começa com 11. Por que isso não me surpreende?"
Cléo De Páris, a atriz mais bonita do Brasil, está na RG Vogue. Fala sobre a participação no filme do Zé do Caixão, sobre a Alaíde de Vestido de Noiva, Cuba, carreira, sobrenome e mais.
O post de ontem sobre rotina matinal gerou comentários de espanto entre os amigos da firma. Esclareço uma coisa: rotina, pra mim, é algo que se repete com freqüência, mas não, necessariamente, exatamente da mesma forma. Tipo assim, caminhar dois ou três dias seguidos já é rotina demais para esta cabecinha turbulenta.
À lista, acrescento algumas esquisitices: só acendo a luz depois do item 18 e só abro a janela depois do item 20, dando cara a la reforma do apartamento do padeiro (em breve poderei gritar: ei francês, joga uma baguete).
É isso. Aperitivo de João Gilberto. Qualquer hora falo sobre a falta de rotina noturna, com coisas do tipo sair para comprar detergente às 2h da manhã e lavar louça ate as 5h. As únicas coisas infalíveis na volta para casa são fechar a janela imediatamente, tirar a roupa e mudar a TV do 40 para o 43.
Todos os dias, assim que me levanto, sigo um ritual antes de sair de casa. Pela ordem:
1. ligo o monitor e caixas de som 2. abro a captura de TV e mudo do canal 43 para o 40 3. abro o Firefox 4. leio e-mails da conta particular 5. leio e-mails da conta profissional 6. leio e-mails da segunda conta particular 7. leio a coluna da Mônica Bergamo 8. leio a coluna do Daniel Castro 9. leio o índice da Ilustrada. Às quartas, leio o índice do caderno Informática 10. leio duas páginas de twitter 11. leio Bluebus 12. leio Querido Leitor 13. leio Tiago Dória 14. leio Cora Rónai 15. leio Ancelmo Góis 16. faço xixi e escovo os dentes 17. tomo café 18. tomo banho 19. me visto 20. leio outros blogs e jornais
Encontrar amigos do passado por redes sociais é para quem não pode. Quem pode, fala com a Mônica.
"João Gilberto canta nesta quinta (14) e na sexta (15) no Auditório Ibirapuera e quer mandar convites para seus amigos que moram em São Paulo. Sem idéia de como encontrá-los, o cantor pediu à coluna Mônica Bergamo, na Folha desta quarta-feira, que publicasse uma lista de pessoas queridas que ele gostaria de ver por lá. Pede que passem na bilheteria para pegar seus ingressos.
A íntegra da coluna Mônica Bergamo está disponível para assinantes do UOL e do jornal.
Enviada por meio de um amigo, a lista de João Gilberto inclui os "irmãos Waldemar e Wilson"; a "doutora Terezinha, prima do Toninho Botelho" também é esperada; "o Marcelo que trabalhava na Varig me daria um grande prazer se fosse", afirma João Gilberto. E também Carlinhos Rodenburg, do banco Opportunity e ex-cunhado do banqueiro Daniel Dantas (ele é parente afastado do cantor).
João listou ainda "três grandes cantoras, Elsa Laranjeira, Maricenne Costa e Mirian Fraga"; "meu querido Mario Thompson e sua família"; Acyr, Cyro Del Nero, Álvaro Moya, Alfredo Borba, Antonio Vanderlei, Daniel Serra, Elizabeth Rizzini, Orfeu Palmari e sua irmã; Os Titulares do Ritmo e suas famílias; Alberto, Eduardo Mario, Dina, Silvinha e dona Gita, da família Leão Fuerte; Rodolfo Nagler, Sabát, "o grande Fernando Faro"; Joãozinho Bossa Nova; Luiz Galvão e também seus músicos; Iná Abreu e José Pires; e Mônica Vanderley e Paulinho."
Pois bem, ele pode.
E valho-me do gancho para informar aos amigos, clientes, funcionários e a quem interessar possa, que cansei de Orkut. Há muito não passo por lá e, por enquanto, não pretendo voltar. Deixo uma lista aqui com minhas presenças na web atualizadas.
Interessante, a Aeiou me pegou pra beta tester. Certamente não viram as críticas que fiz ao batismo da empreitada, em post abaixo.
Vamos ver o que rola. Até agora, a situação é a seguinte:
- às vésperas do lançamento, detonei a escolha do nome [1x0]; - no dia do lançamento, tentei me cadastrar. Primeiro, o site não funcionou em Firefox [2x0]. No IE, travou no meio do processo, e não pude completar o cadastro nem começar outro, já que meu cpf constava como registrado [3x0]. O formulário para contato não funcionava [4x0]. O telefone para informações não funcionava [5x0]; - hoje, recebi um e-mail pedindo para completar o cadastro e escolher o número [5x1]. Fui lá, e beleza, os dados do cadastro incompleto estavam valendo [5x2]. A tela final, que pedia confirmação do endereço para entrega do chip, ficou pensando por mais de uma hora [6x2]; - mais tarde, chegou outro e-mail confirmando a inscrição [6x3]. (e a tela continuava pensando). Dizem que o chip será entregue a partir do dia 18, com R$ 35 em créditos de brinde [6x4].
Aguardem os próximos capítulos.
Já aviso que sou contra telefone, não pretendo divulgar o número, mas sim, pretendo usar e avaliar o serviço.
Às vezes, acontece de eu passar uma temporada sem ler. Sem conseguir. Fico vazio, destituído do tesão de mergulhar nas histórias alheias. Ainda bem que passa. Ah, se passa. Passou. Agora, esta semana, estou na companhia de quatro camaradas. No banheiro, Miranda July, É Claro Que Você Sabe do Que Estou Falando. No quarto, à noite, para dormir, o Paraíso Perdido de Cees Nootebom. No quarto, para acordar leve, Neruda, Confieso Que He Vivido.
O outro está na mesa de trabalho e no ônibus, dentro da bolsa. Um fininho, alemão de 105 anos, pela terceira vez. Adaptação em curso. Até o fim do ano sai. Talvez, em 2009, chegue ao palco. Sem pressa.
"Piscianos já costumam viajar espontaneamente, deslocando-se do corpo como se estivessem fazendo projeção astral. Quando viajam de verdade são ótimos companheiros de viagem, lembrando de tudo o que tem que ser levado. Fazem o roteiro com detalhes, desde a manhã até na noite. Sempre carregando a sua companheira mais fiel : a máquina fotográfica. Consumindo dezenas de filmescartões de memória, vão querer registrar tudo, desde o monumento até o faxineiro, coitado, que mantém limpo local varrendo dia e noite. Nessas milhares de fotos você vai ver algo estranho : cadê o pisciano ? Adoram tirar fotografia de lugares e de pessoas, mas não gostam de aparecer. Talvez por que a imagem que tenham de si mesmos não seja igual à realidade." (gaiastral)
Eu me conheci há dez mil anos atrás, foi numa festa, tudo muito estranho, gente normal, terno e gravata, uísque. Pedi uma Coca e me trouxeram farinha, perguntei onde era o banheiro e me mandaram para um prato de espaguete cheio de minhocas libidinosas. Tentei pular o muro e me disseram: calma aí, boy, aqui é o Hotel Califórnia.
Como diria Marisa Monte, essa aí é a
Velha Gorda da Mangueira
Tudo começou quando
encostei o carro na pirambeira, de ré. Mais um pouco e despencaria. O pneu, ó,
ficou um tanto assim no vazio. Abri o porta-malas, tirei um por um, um de cada
vez, eram pesados, e joguei para o oco do mundo. Coisa de vinte minutos. Os
outros dez minutos passei olhando, checando se estavam realmente lá embaixo, lá
no fundo, de onde nunca mais poderiam sair. Fiquei esses dez minutos
conscientemente, não foi de bobeira. Fiquei para conferir se estavam realmente
lá embaixo, evitando repetir o erro banal de Shakespeare.
Shakespeare, aliás, tá me devendo uma.
Entrei no carro e acelerei, para frente, em direção à estrada principal.
Depois disso, não me lembro de mais nada.